
Por que insistimos em definir conceitos para o amor? Não existem conceitos que possam exprimir emoções ou qualquer sentimento. Essas palavras já se definem por sim mesmas, sentimento é sentir, emoção é sentir. Pare por um minuto, feche seus olhos, e sinta tudo o que está a sua volta, o ar, as pessoas, a cidade, o campo, o céu, o sol ou chuva, os animais, sinta o perfume das coisas, sinta seu coração pulsando em seu peito, sinta sua respiração... Agora lentamente abra seus olhos... E apenas sinta, sem pensar, em todas as sensações que você absorveu... Descobrirás algo novo, emoções novas que antes não tinhas consciência... Tudo o que quero dizer é que para amar, para saber o que é o amor, você simplesmente precisa fechar seus olhos e sentir por um momento tudo que te cerca. Você me pergunta por que fechar os olhos? Nossos olhos fazem parte da consciência e ajudam a racionalizar tudo o que vemos ou sentimos, distorcendo o verdadeiro significado da palavra sentir. Sentir está no tato, na pele, é preciso querer tocar, se permitir ser tocado, apenas assim você vai saber, sem necessitar conceituar o amor. Se permita a amar ser amado sem pensar e sem racionalizar, só deixe fluir por você as sensações que te rodeiam...
Convenço-me a cada instante de que coincidências não existem. A Terra gira 24 horas em torno de si mesma, o que me dá a certeza que numa próxima volta irei reencontrar alguém do passado indiferente a história ou a ligação, ou simplesmente encontrarei alguém que já era previsto eu conhecer devido às pequenas ou grandes ligações envolvendo o encontro. Isso não é simples teoria, é um fato que constato todos os dias no caminho que trilho. Esses reencontros em alguns casos irão te oferecer uma nova oportunidade, para resolver algo pendente ou simplesmente relembrar bons tempos, em outros casos apenas irá cruzar seu caminho novamente e o porquê disso eu ainda não sei. E nesses giros da Terra continuo a conhecer pessoas especiais, continuo mantendo amigos especiais e aprendo cada vez mais que a vida é ligada por uma única linha entrelaçada de várias maneiras. Não há coincidências, eu prefiro dizer destino traçado, já está escrito em nossa história quem iremos conhecer, os relacionamentos que teremos com elas depende de nossas escolhas (livre arbítrio). Todo caso é um caso que levará a um encontro com alguém novo, você conviverá com alguém que terá o papel de te apresentar outra pessoa que terá, talvez, um significado muito maior na sua vida. Descobri que somos como pontes ligando umas as outras e isso é tão bom, nos abre para novas experiências e oportunidades. Você já pensou nas pontes que cruzou?


O que é realidade? Quem me garante que não estou nesse momento deitada em minha cama a dormir, acreditando estar escrevendo mais um texto? Como posso crer em meus dias, crer que tudo é verdadeiro? Descartes em seu método afirmou “jamais acolher algo como verdadeiro, a não ser que seja absolutamente evidente, e não acolher no juízo o que não seja claro e indubitável”. Devo duvidar então do que vejo, do que toco, do que sinto enquanto não houver uma evidência absoluta de que é verdadeiro. Preciso racionalizar mais, preciso evitar que minhas emoções me conduzam. O caminho que sigo é tempestuoso e não há segurança contra raios e meteoros. É tão fácil enganar nossa mente, nos iludir com simples palavras ou gestos singulares. Somos seres individuais, que vivem numa necessidade de companhia, mas não aprendemos como conviver com outro tão diferente de nós. Desesperamos-nos para encontrar alguém para amar, ao encontrarmos passamos nossos dias a transformá-lo em um alguém perfeito aos nossos olhos, queremos a todo custo mudar as pessoas que nos cercam tudo isso porque é difícil aceitar as diferenças e mais fácil julgá-las. Como posso acreditar nessa realidade? Uma realidade tão hipócrita e preconceituosa. Não consigo aceitar, prefiro meus sonhos utópicos, quero acreditar que uma utopia de uma sociedade pacifica e solidária, mais humana, um dia possa se tornar real, não para mim e sim para todos. É dentro desta realidade que quero duvidar estar sonhando.

Que sensação boa, calor agradável, brisa refrescante, sentimento de dever cumprido. Estou na frente do computador, mas minha imaginação me leva até a praia, posso sentir a areia fofa entre meus dedos, caminhar descalça molhando os pés na beira da praia. Como é bom imaginar! Fecho meus olhos e apenas sinto o som das ondas, o canto dos pássaros, o cachorro latindo feliz ao correr na areia. Veja, logo ali tem uma rede. Como é bom deitar numa rede, balançar levemente, descansar o corpo e a mente após um dia rotineiro. PAZ, é isso que estou sentindo, prolongarei o tempo que eu puder para aproveitar essa deliciosa viagem. Ao longe no mar vem vindo um barco, provavelmente cheio de peixe. O pescador deve estar contente com seu dia, irá poder levar seu pão para casa. O que ouço a mais? São risadas? Parece-me de crianças, que gostosa gargalhada, sorrio também. Ah meu amor! Seria perfeito poder encontrar seus olhos e sentir seu toque nesse momento. Tudo nessa paisagem é convidativo à serenidade do espírito. Minha alma está leve, poderia voar se soubesse. O céu está num azul puro, com um sol radiante de tão belo. A natureza é tão simples e encantadora, o seu verde contrastando com as mais variadas cores das flores do campo. O som do vento nas árvores e o cheiro do mar é o que trago nos sentidos de minha pele. Vou abrindo os olhos lentamente, já não vejo mais a imagem de agora, mas as sensações ainda permanecem gravadas em mim.

Nesse oceano, sinto-me perdida. Náufrago em minhas memórias. Nado desesperadamente e não consigo me mover. Olho ao meu redor e nada vejo, o horizonte está tão longe... Sinto-me cansada, meus braços doem, minhas pernas estão dormentes, será o fim? Não quero me perder desta maneira, mas é tudo tão azul e calmo, mesmo cansada me sinto em paz, quero fechar meus olhos e apenas sentir esse calor que me abraça... Espera! O que estou pensando? Resista! Não se entregue! Tenho que lutar. Encontrá-lo. Estou certa que ele está aqui, posso sentir. Minhas memórias são tantas, por onde começarei? O fundo do oceano, está me puxando, é forte, as ondas se agitam ao longe. A calmaria já se vai. Meu coração acelera no mesmo ritmo... Fôlego. Tenho que respirar pausadamente, vê? As ondas? Estão diminuindo. Mantenha seu coração tranqüilo. O sol vai se pôr. A noite vem suavemente cobrindo o céu com seu manto escuro nutrido de brilhantes. É linda aquela estrela vermelha. Estrela vermelha? Sinto-me inquieta, pressinto conhecer essa estrela que se aproxima, está perto demais, mas suas formas estão distorcidas ainda. As ondas se agitam novamente, as palpitações se aceleram. Não... Meu corpo treme, estou ficando tonta, me sinto amolecer, vou desmaiar. (... ... ... ...) você? Ah!(Minhas lágrimas lavam meu rosto). Estou feliz por estares aqui, queria tanto te encontrar. Preciso lhe falar antes que me levem, por favor, ceda-me por um minuto apenas o seu tempo. Preciso que saibas... Eu te amo! De todas as minhas memórias, você é o único que não esqueci. É tão bom sentir seus braços em volta do meu corpo, é como estar em casa novamente. Triste hora, o sol vai nascer, tenho que ir. O oceano não me deixa partir. Vou, mas anseio pela noite, apenas para poder ter ver ao fechar meus olhos deitada em minha cama.
O amor é um sentimento universal que transcende a relação entre seres humanos. Quando entendido faz elevar a alma ao encontro do olhar mais singelo ao contemplar um pequeno raio de sol. Nessa contemplação sentimos que o amor habita dentro de cada um e que só precisa ser compartilhado para ser verdadeiramente sentido.
(by me)
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| Foto: Tulipa Negra |